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segunda-feira, 27 de abril de 2009

Testemunho para o blog http://recuperarequeestaadar.blogspot.com


" A minha Historia"


Olá! Sou a Sue e vou aqui deixar o meu testemunho sobre Anorexia/Bulimia e a minha Recuperação.
Tenho 23 anos, sou do Algarve e desde os 13 anos que sofro desta problemática.

Desde que me lembro nunca me aceitei e sempre me achei inferior aos outros e “gorda”.

Mas isto veio a piorar quando o “senhor de vermelho” apareceu, o meu corpo, como o de qualquer mulher começou a alargar e eu comecei a entrar em paranóia.
A minha vida girava em torno de pensamentos sobre a gordura e a comida e já antes pela tenra idade não tinha sido capaz de deixar de comer. Até ao dia que decidi que era desta, se emagrecesse eu ia ser feliz, então deixei de comer.

Passava os dias a leite, água e pastilhas elásticas. Em pouco tempo, começaram a notar-se os quilos a desaparecer e a ficar mais feliz. A verdade é que nunca fui gorda, o meu peso máximo era de 59 quilos para 1,65m de altura.

Enfim, lá emagreci e parecia que tudo corria bem. Nesta altura, mudei de escola, de amigos e numa de afirmação comecei a fumar charros. A doença ainda não tinha afectado a minha vida social e eu fazia-o para agradar os outros.

Com os charros, voltaram os quilos a mais. Passava os dias “ganzada[i]” e deixei de pensar no meu corpo, comia e depois sentia me culpada, mas o mais importante eram as “ganzas[ii]”, e voltei a engordar.

No ano a seguir depois de ir para o Liceu voltei a sentir me horrível e muito gorda, até pensava que o rapaz de quem gostava não gostava de mim porque era gorda, etc.

Voltei a deixar de comer, mas desta vez a serio. Não comia as refeições, só fruta, iogurtes e comecei aos poucos a isolar-me no meu “mundo”. Vivia obcecada com a comida e não pensava em mais nada, apesar de a rejeitar.

Em poucos meses, voltei a emagrecer aquilo que tinha ganho e algo mais, não tinha objectivos concretos ou realistas, não tinha um peso estipulado, aquilo que mais queria era emagrecer cada vez mais.

Um dia, não aguentava mais a fome e a privação, lembrei-me que podia vomitar apesar de todo o nojo que isso me fazia sentir. Comecei a vomitar de vez em quando, depois diariamente e até faze-lo varias vezes ao dia foi um ápice.
Estava nas “teias da doença”. Antes de iniciar os “rituais” do vómito, nos jantares de amigos, só aparecia no final, também evitava os jantares de família, depois, quando comecei a vomitar, aconteceu o “milagre”, porque podia frequentar os jantares como as outras pessoas, depois livra-me de tudo o ingeria.

Começou a ser um hábito. Não pensava em parar e ate trouxe “felicidade” ao menos podia fazer tudo que desejava na mesma.

Ate ao dia que a minha mãe descobriu e levou me ao psiquiatra. Começaram os planos alimentares, os anti-depressivos - foi a minha “receita” - mas de pouco valeu, pois não queria parar nem conseguia, tinha horror em engordar e ainda me dava mais gozo ir às consultas e ter perdido peso.

Isto prolongou-se durante 3 anos ( escolares/Liceu) e aos 18 anos depois de ter entrado em desespero e já não me suportar, tive que pedir ajuda. O meu corpo começava a ressentir, problemas intestinais, estômago e os dentes numa miséria.
Depois de ter experimentado tudo o que podia, psicólogos, psiquiatras, consultas no Hospital de S. Maria, acupunctura, etc., etc...

Rendi-me e pedi para me internarem porque sozinha não era capaz. Fui parar a um centro de tratamento de 12 passos, mais conhecido nos tratamentos de alcoolismo e toxicodependência. Ao inicio foi um choque mas com o tempo fui me identificando com as pessoas que lá estavam e senti me compreendida pela 1ºvez.

Fiquei e fiz 12 semanas de primária e 16 de half way[iii]. Na minha opinião, foi tempo a mais de tratamento, mas a verdade é que nunca me tinha sentido tão bem, como quando lá estive. A partir do dia em que cheguei a tratamento não vomitei, estava decidida a curar-me. Descobri que para além de anoréctica e bulimia eu era adicta. Algo que nunca tinha ouvido falar mas que me fez sentido.

O mais complicado disto tudo foi mesmo voltar a comer e não vomitar pois já estava numa fase que ate a água que bebia vomitava.

Passaram-se os 7 meses de tratamento e regressei a casa. Ao fim de três meses recai. Saí mal com o centro e não tive apoio nenhum.
Depois voltei a beber de novo e ate à minha vida voltar ao mesmo inferno de antes, foi um “pulinho”.

Passaram-se 4 anos e eu de novo nas “teias” da doença. “Orgias” de comida , bebedeiras de morte eram o meu dia a dia.

Tentei de tudo de novo, terapias naturais, psiquiatras, psicólogos, geográficas, mas de nada me valeu. Estava de novo no “fundo do poço”[iv].

Engordei 16 quilos, foi um verdadeiro “pesadelo”. Experimentei todo o tipo de dietas e nada. Ate que aceitei que outro tratamento que deveria ser a única coisa que me podia salvar. Pedia ajuda à minha mãe e na semana a seguir estava a ser admitida em tratamento. Manipulei a coisa, afirmando “Não estou assim tão mal, como antes, só precisava de 1 mês para me por bem, novamente”.

Fui para tratamento de novo e com o tempo fui-me apercebendo que estava tão mal como antes, só que desta vez mais virada para a bulimia. Em vez de 1 mes fiquei 2 meses e meio e sai há 1 semana e meia.

Hoje sinto me muito bem, acordo de manhã com vontade de viver. Faço uma alimentação equilibrada e perdi uns bons quilos, não sei quantos, porque não me peso. Consegui descobrir-me a nível interior, uma forma mais “profunda”, permiti-me mudar e hoje sinto-me feliz e muito grata a todos aqueles que me ajudaram e à vida por me ter dado outra oportunidade e por ter deixado o sol brilhar de novo para mim.
SO POR HOJE NAO USO COMIDA NEM ALCOOL EM CIMA DE SENTIMENTOS E NAO LIMITO O MEU CEREBRO A ESTES PENSAMENTOS. E JA LA VAO ALGUMAS 24 HORAS ;)

sábado, 18 de outubro de 2008

Half Way

Uma nova etapa, um segundo internamento, mais 3 meses... eu não queria é voltar a vida real.
Là fui eu... neste novo centro já passavamos a noite sozinhos, eram menos e podiamos ir passear.
Não gostei quando cheguei... senti-me péssima... não queria estar ali... estava triste... sentia-me sozinha e de novo á nora... Nem queria estar com os meus pais... quase que os mandei embora... eu queria ter ficado no Crato...
Enfim nao foi fácl aceitar esta nova fase... o Crato apesar de mais radical era muito mais facil... tinha que frequentar reunioes de N.A. 2 a 3 vezes por semana... e sinceramente não gostava muito... não me sintia nada á vontade lá... as pessoas eram muito queridas, mas eu nunca vivi o mundo das drogas e nao sei fazer uma chinesa, nem mesmo um cheiro... então aquilo era um castigo para mim.
Fui uma vez a uma reuniao de alcólicos anónimos e aí sim encontri algum conforto... mas foi dessa vez que lá fui...
La fui ficando no Half Way, completamente contrariada, chateada, não tinha nada para fazer, os dias era um tédio... enfim acho que podia ter pulado esta parte e poupado uns euros...
Ao fim de 15 dias de lá estar chegou um rapaz por quem me tinha apaixonado no Crato, mas como era proibido relacionamentos, nem pensei muito nisso.
Mas ele foi para Half Way também, e eu ai já fiquei mais contente, mas deixei de me concentrar no motivo pelo qual ali estava e aos poucos fui-me afastando do meu objectivo...
Comecei a substituir o lanche por cereais, comia chocapic em seco ás maos cheias e outras asneiras que até lá eu não fazia, resultado engordei 3 quilos... Foi o Horror mas enfim lá me habituei de novo...
Ao fim de 2 meses de lá estar envolvi-me com o tal rapaz, um amigo nosso disse-lhe que gostava dele e ele "atacou-me", sim porque eu timida como sou fugia dele e tratava-o com indiferença... apesar de me roer por dentro...
Começamos a namorar as escondidas... estavamos juntos, passeavamos juntos e enfim aquilo até era engraçado... nunca tinha namorado as escondidas... parecia do seculo passado :P.
No total ainda fiquei lá 4 meses, entretanto fui a casa... foi muita estranho, mas adorei tar com a minha mae...
Quando descobriram o nosso namoro, foi o caos, era proibido e queriam que acabassemos, mas nos gostavmos um do outro e ninguem nos iria separar...
Quis ir embora sentia-me mal lá, pedi a minha mae para me ir buscar, mas la me conveceram a "nao desistir, estava quase a acabar, ja estava a fazer o quarto passo", ok fiquei, pensei nao posso desistir eu aguento, nao foi facil eu nao me dava muito bem com o pessoal que a estava comigo, a minha amiga, a unica rapariga so la este ve 1 mes e meio comigo, o meu namorado foi embora primeiro so la ia durante o dia e eu estava lá com mais uns rapazes que me estava a relacionar mal.
Mas aguentei, chateada, magoada, revoltada, mas ok eu aguento.
Ao fim de 4 meses, disse "BASTA!!!" e vim embora, eles viram ali um paga contas e nao me queriam deixar ir embora, o meu pai com o desespero pagava tudo o que fosse melhor para mim, mas desta vez eu sabia que me esatavam a enrolar...
E fui embora... Chateada e revoltada com aquilo tudo, com os conselheiros e com aquela gente toda.
E agora o que vou fazer??? Ficar no Porto ou voltar para casa???